Um encontro num dia com significado
É o reconhecimento da importância da formação e da aprendizagem ao longo da vida que nos une num mesmo espaço, num dia tão simbólico como o Dia Nacional do/a Formador/a, assinalado a 18 de novembro.
A data coincide com a publicação do Decreto Regulamentar n.º 66/94, de 18 de novembro, no Diário da República n.º 267/1994, Série I-B, que regulamentou pela primeira vez o exercício da atividade de formador no domínio da formação profissional inserida no mercado de emprego.
Aprender para quê?
Pode parecer uma pergunta demasiado simples para abrir um Encontro Nacional de Formadores. Talvez por isso seja uma boa pergunta.
Durante demasiado tempo fomos organizando a formação e o ensino a partir do que havia para transmitir: conteúdos, temas, programas, módulos e horas. E, no fim, uma prova para perceber quanto ficou.
Mas ficar… é aprender?
Saber dizer é saber fazer?
Conhecer é conseguir agir?
Ter informação é ser competente?
Do saber à ação
Falar de competências não significa desvalorizar o conhecimento. Muito menos dispensá-lo. Sem conhecimento não há competência consistente.
A questão é o que fazemos com aquilo que sabemos. Conseguimos mobilizá-lo perante uma situação, tomar uma decisão, resolver um problema, produzir alguma coisa e explicar por que razão agimos de determinada forma?
Se aprender significa transformar aquilo que somos capazes de fazer, a competência tem de estar no princípio: no desenho, na ação, na forma como se aprende e também na forma como se avalia.
Mudar a pergunta
Do “que conteúdos temos de ensinar?” para “o que queremos que o aprendente seja capaz de fazer?”
E, logo a seguir: que experiência teremos de criar para que isso aconteça?
- 01Papéis
Mudam o papel do formador e o papel ativo do aprendente.
- 02Conteúdos
Deixam de ser o destino e passam a ser recursos para pensar e agir.
- 03Atividades
Deixam de ocupar tempo e passam a criar oportunidades reais de ação.
- 04Avaliação
Procura evidências do que se mobiliza, com que autonomia e com que resultados.
A competência vê-se
Acontece numa situação. Obriga a pensar, decidir, mobilizar conhecimento, experimentar, falhar, voltar a fazer, ajustar e produzir um resultado.
Ser competente é também mobilizar, adaptar e transferir o que se aprendeu para situações diferentes.
Uma aprendizagem baseada em competências não pode ser construída à margem da vida. Tem de encontrar situações, problemas, decisões, pessoas, contextos e imprevistos.
Ninguém se torna competente sentado a assistir à competência dos outros. Primeiro com apoio. Depois com menos apoio. Até ao momento em que o aprendente já faz sem o formador.
Um cuidado: transformar competências numa coleção de pequenas tarefas, comportamentos ou quadrículas para assinalar seria trocar uma simplificação por outra.
A competência não é apenas execução. É conhecimento em movimento, raciocínio, decisão e ação com sentido.